Quando a mudança de país acontece por dentro: Entendendo a depressão em adultos e crianças expatriados

Mudar de país é mais do que uma viagem de avião. É uma jornada que envolve desenraizar a vida e tentar replantá-la em um solo desconhecido. Para muitos, é um sonho de novas oportunidades. Para outros, uma necessidade. Mas, seja qual for a motivação, essa transição pode desencadear uma profunda sensação de tristeza, solidão e, em alguns casos, depressão – tanto em adultos quanto nas crianças que acompanham essa aventura.

Este fenômeno, muitas vezes chamado de “luto cultural” ou “depressão do expatriado”, não é um sinal de fraqueza. É uma reação humana natural a uma perda colossal: a perda do familiar.

As múltiplas faces da saudade: O luto invisível

Ao se mudar, você não deixa para trás apenas familiares e amigos. Você perde rotinas, cheiros, comidas, o barulho da rua, a língua do dia a dia – todo um contexto invisível que dava sentido e conforto à sua existência. Esse luto é invisível e, por isso, muitas vezes invalidado. As pessoas dizem “Mas você está vivendo o sonho!”, sem entender que é possível sentir uma nostalgia paralisante mesmo em um lugar paradisíaco.

Nos adultos, essa depressão pode se manifestar como:

  • Uma tristeza persistente e inexplicável.
  • Isolamento e dificuldade para criar conexões reais no novo país.
  • Sentimentos de inadequação e frustração por não se adaptar “rápido o suficiente”.
  • Fadiga extrema, desinteresse por atividades que antes traziam prazer.
  • Crises de identidade: “Quem eu sou aqui, longe de tudo que me definia?”

E nas crianças, os sinais são mais sutis, mas igualmente poderosos:

  • Irritabilidade, choro fácil e ataques de raiva.
  • Alterações no apetite e no sono (pesadelos são comuns).
  • Queixas frequentes de dores de barriga ou cabeça sem causa médica.
  • Regressão a comportamentos de fases anteriores (voltar a fazer xixi na cama, chorar para se separar dos pais).
  • Queda no rendimento escolar e desinteresse em fazer novos amigos.

A criança, muitas vezes, não tem o vocabulário emocional para dizer “estou com saudade do que era seguro”. Seu mal-estar se expressa através do corpo e do comportamento.

Não está sozinho: validação é o primeiro passo

O passo mais importante para curar essa ferida é reconhecer que a dor é real e válida. Não é “frescura” ou “ingratidão”. É o seu psiquismo, e o de seus filhos, processando uma mudança colossal. Permitir-se sentir essa saudade, sem julgamento, é um ato de coragem e autocompaixão.

Reencontrando o chão: Como a terapia pode ajudar

A psicoterapia oferece um porto seguro nesse mar de incertezas. É um espaço onde você pode:

  • Nomear e validar todos os seus sentimentos contraditórios.
  • Elaborar o luto pelas perdas, honrando o passado enquanto se constrói o presente.
  • Desenvolver estratégias práticas para lidar com o choque cultural e a solidão.
  • Fortalecer sua identidade, integrando a sua cultura de origem com a nova.
  • Apoiar os seus filhos, entendendo suas angústias e aprendendo a comunicar-se de forma a acolhê-las.

Para as crianças, a terapia utiliza ferramentas lúdicas como jogos, desenhos e histórias. É uma maneira gentil de ajudá-las a externalizar seus medos e confusões, transformando a experiência da mudança em uma história que elas possam entender e superar.

Um convite para cuidar de você

Se você se reconheceu em qualquer linha deste texto, seja para você ou para o seu filho, quero que saiba que a ajuda existe. Você não precisa navegar sozinho por essa tempestade silenciosa.

Fazer terapia neste contexto não é “consertar algo quebrado”. É um acto de cuidado, um investimento na sua capacidade de florescer onde você foi plantado. É aprender a carregar sua história com afeto enquanto escreve novos capítulos.

Se a saudade pesa mais do que a alegria da novidade, se a solidão parece maior que a paisagem, convido você a dar o primeiro passo. Entre em contato e marque uma consulta. Vamos juntos construir pontes entre os dois mundos que agora habitam o seu coração, encontrando equilíbrio, sentido e nova alegria nesta jornada.

Com carinho,

Jocasta Siqueira

Se você está passando por isso, não espere. Sua saúde mental é prioridade. Entre em contato clicando no botão abaixo para agendar uma conversa.

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