Imagine que você carrega um peso há tanto tempo que ele já parece parte de você. Você aprendeu a andar curvado, a respirar ofegante e a aceitar a dor como algo normal. A ideia de colocar esse peso no chão, por mais tentadora que seja, também assusta. “E se eu não aguentar a luz do sol?”, “E se eu não souber mais andar sem ele?”.
Essa metáfora ilustra perfeitamente a resistência que muitas pessoas têm em relação à terapia. Não é que elas não queiram se sentir melhor; muitas vezes, é o medo do desconhecido e os mitos que o cercam que as impedem de dar o primeiro passo.
Este artigo é para quem já pensou em procurar ajuda, mas encontrou uma voz interior cheia de objeções. Vamos conversar sobre elas?
“Eu lido sozinho(a). Sempre lidei.”
Esta é uma das frases mais comuns e que revela uma grande força. E de fato, você é forte. Mas a força não está em aguentar tudo em silêncio. A verdadeira coragem está em saber quando uma batalha é grande demais para ser travada sozinho. A terapia não é uma derrota da sua capacidade; é uma estratégia inteligente. Você não está desistindo, está se reabastecendo. É como permitir que um especialista te ajude a consertar o telhado da sua própria casa: a casa é sempre sua, o trabalho é sempre seu, mas com as ferramentas e o know-how certos, o conserto é mais eficaz e duradouro.
“Terapia é só conversar. Converso com meus amigos.”
A amizade é um presente invaluable, mas um amigo não é um terapeuta. Os amigos te apoiam, mas também te julgam (mesmo que com boa intenção), têm uma história pessoal com você e vão sempre opiniar a partir da visão de mundo deles. A terapia oferece algo único: um espaço 100% seguro, confidencial e livre de julgamentos. É um lugar onde você pode falar absolutamente tudo sem medo de magoar, de ser mal interpretado ou de ouvir conselhos que não se aplicam à sua realidade. O psicólogo não é um amigo; é um profissional treinado para te ajudar a encontrar as respostas que, muitas vezes, já estão dentro de você.
“Vai me enfiar remédio goela abaixo.”
Este é um medo muito importante de ser esclarecido. A psicóloga (psicóloga) não prescreve medicamentos. Esse é o trabalho do psiquiatra, que é um médico. A terapia é um processo de autoconhecimento e desenvolvimento de ferramentas emocionais. O objetivo é te equipar com recursos internos para que você possa lidar com os desafios da vida. Em alguns casos, a combinação de terapia e medicamento (receitado por um médico) é a mais indicada, mas a decisão é sempre sua, após uma avaliação cuidadosa e com toda a informação em mãos.
“É caro e não tenho tempo.”
Pense nisso: quanto custa, em termos de alegria, saúde, produtividade e qualidade dos seus relacionamentos, adiar o cuidado com a sua mente? Muitas vezes, o “não tenho tempo” é na verdade um “não priorizo meu bem-estar”. Veja a terapia não como uma despesa, mas como o mais importante investimento em você mesmo. Quanto ao tempo: sessões online tornaram o processo extremamente acessível. Você pode fazer da sua sala de casa, no horário de almoço ou após colocar as crianças para dormir, um santuário de autocuidado.
O que realmente acontece no consultório (online ou presencial)
Você não vai se deitar em um divã e falar sobre sua infância para um senhor de barba que balança a cabeça em silêncio (a menos que você queira!). A terapia é um processo colaborativo. Nós trabalhamos juntos para:
- Entender padrões: Identificar pensamentos e comportamentos que se repetem e que te causam sofrimento.
- Desenvolver ferramentas: Criar estratégias práticas para lidar com a ansiedade, o stress e as emoções difíceis.
- Expandir a autoconsciência: Se conhecer melhor é ganhar o controle da sua própria vida. É deixar de reagir no piloto automático e começar a agir com intencionalidade.
Um convite gentil para você
Quebrar a resistência é simplesmente dar uma chance à possibilidade de que existe um modo de viver mais leve, mais consciente e mais pleno.
Você não precisa estar em crise para se beneficiar da terapia. Talvez você só precise de um lugar para se reconhecer, se reorganizar e respirar fundo.
Eu convido você a encarar a primeira sessão não como um compromisso eterno, mas como um experimento. Um momento para tirar suas dúvidas, sentir a vibe do processo e decidir, sem pressão, se faz sentido para você.
Fazer isso é o maior ato de cuidado que você pode ter por si mesmo e por todos que ama. É parar de lutar contra você e começar a se escutar.
A porta está aberta. Você decide quando entrar.
Com carinho,
Jocasta Siqueira
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